Corona contra Trump

Difícil, mas é um fato: Trump foi eleito presidente dos EUA. Com ideias bem reacionárias, ele instiga medo, tensão e assombro. O que fazer a não ser resistir? A Marcha das Mulheres contra Trump mobilizou o mundo ao reunir mais de 750 mil pessoas na capital norte-americana e mais de 4 milhões em outras cidades para reivindicar justiça social, igualdade de gênero e insatisfação diante da postura preconceituosa e conservadora do atual presidente. E como as marcas ficam diante desta situação? Se posicionam ou entram no jogo político?

É óbvio que há um grande interesse comercial por parte de muitas empresas em manter laços pacíficos com a maior economia do mundo. Mas teve marca que já sinalizou que quer mesmo é ficar ao lado do consumidor, como fez a cerveja mexicana Corona, do grupo AB InBev. Com uma campanha poderosa, a marca quer fortalecer o orgulho da identidade latina sem clichês, sem ficar na imparcialidade e ainda entusiasmar o público a compreender a problemática do novo governo.

Quase um place brand e fazendo uma forte contraposição ao slogan de Trump "Let´s make America great again", a Corona lançou “Somos Todos América”, colocando o continente em si como algo muito maior do que o país Estados Unidos. O conceito propõe a “Desfronteirização” dos países para lembrar a importância e a força da união dos povos, das múltiplas culturas, da gradiosidade histórica, da diversidade, do orgulho de ser deste lugar.

Espia e arrepia:

Dentro da mesma campanha, a marca quis criticar o terrível projeto de Trump de construir um muro entre EUA e México. Para desfronteirizar, é preciso derrubar muros. E mais, muros que estão para além dos físicos. 

Espia e arrepia 2:

Foi um passo importante que a marca estabeleceu ao comprar uma briga que é dela também. Muitas empresas preferem dançar conforme a música e conectar seu produtos com todos os prazeres da vida e jamais com a possibilidade de engajamento. Claro, a represália pode vir e ninguém quer se arriscar. Tanto que os efeitos do posicionamento da Corona já estão ecoando no mercado estadounidense. Com o título “A ressaca da Corona depois de Trump", uma matéria da CNN  apontou que a empresa americana de distribuição da cerveja nos EUA já perdeu 7% de seu valor de mercado. Além disso as medidas de aumento de impostos para produtos importados que Trump quer estabelecer, certamente trará ainda mais prejuízos para a distribuidora. 

Aproveitando que hoje é sexta-feira, para brindar o orgulho e a grandiosidade de ser Latino Americano, uma rodada de Corona!

Gláucia Oliveira

Pesquisa. Lê. Escreve. Pensa. Conecta.

Compartilhar